Estendi a mão e me sentei no banco de trás.
Pude ouvir algum "bom dia" um pouco mais a frente e talvez um sorriso forçado saiu.
Expliquei a rota, fui imperativa. Virei o rosto e lá estavam filas, ao meu lado.
-"Me livrei delas", burburei.
-"Delas ou da obrigação de estar nelas?", disse a mesma voz do "bom dia".
Não respondi, continuei pensando enquanto o taxicímetro corria.
Realmente, os seres humanos tem certa dificuldade em fazer estar nessas filas, pois terão que fazer escolhas, terão que decidir, obrigados ou não, que posição ter mediante àquela situação.
Escolhas diversas. Que roupa usar? Que horas sair? Que resposta darei? Devo confiar?
Por o pé no chão ao sair da cama já é uma escolha! Ou ficar nela ao longo do tempo também!
Cabe saber o reflexo que ela terá com seu findamento. Mas, mesmo assim, ainda é escolha!
Pelo vidro fumê, semi-refletido pelos raios ainda tímidos e frios do sol preguiçoso nas nuvens, pude ver pessoas fazendo-as e, como no estalo, meus olhos perceberam meu rosto refletido no mesmo vidro, me fazendo me olhar profundamente...
-"Tá bom aqui, moça?", a voz perguntara, me fazendo chamar a atenção.
-"O senhor acha que está bom?", retruquei.
-"É a Srta. que diz...", falando isso com um olhar debochado.
Dei um sorriso, agora de verdade, e andei 2 quarteirões pra escrever isso aqui.
A gente nunca sabe qual escolha fazer, mas sabe que têm escolhas e fim!
Ou não?
domingo, 5 de outubro de 2008
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Decifra-me
- plira
- Recife, PE, Brazil
- Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes. João Cabral de Melo Neto