Sentada na espreguiçadeira de minha varanda percebo que não faço o que, de fato, nessa hora, deveria fazer: espreguiçar-me.
Pelo contrário, me retraio, me fecho, me escondo em mim!
Olhando para os buraquinhos singelos da parede, consigo imaginar esse corpo pequeno, fechado, passando por eles. Se ficar, some. Se sair, modifica-se, liberta-se.
Abre as asas retidas na cadeira que parece ter prendido a sua vida. Que lhe impediram de voar.
De ser livre.
Bater as asas, alçar vôos. Algo que, desde pequena, insatisfeita com a gravidade que me fazia ir ao chão toda vez que meu pai me punha aos altos, tenho impregnado aqui dentro.
Gosto da sensação que dá quando se abre os braços e sente o ar batendo de fronte, na face, na alma.
Livre!
De si e dos outros, daquilo que prende as pernas quando se quer dar um passo.
Livre para ir na sorveteria em dia de frio, livre pra cantar quando se está rouca, livre pra sorrir, pra chorar, pra ficar com raiva e dizer “estou com raiva, oras”!
Livre, mais que tudo, para escrever e expor meus sentimentos, pois minha alma te sede de liberdade e como tal é livre pra sonhar, pra ser, pra se espreguiçar...
quinta-feira, 26 de junho de 2008
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Decifra-me
- plira
- Recife, PE, Brazil
- Pois que reinaugurando essa criança pensam os homens reinaugurar a sua vida e começar novo caderno, fresco como o pão do dia; pois que nestes dias a aventura parece em ponto de vôo, e parece que vão enfim poder explodir suas sementes. João Cabral de Melo Neto